segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Olhe de novo

- Eduardo vai tomar banho! Eduardo vai tomar banho! Eduardo vai tomar banho! Eduardo vai tomar banho! Eduardo vai tomar banho! Eduardo vai tomar banho! Eduardo vai tomar banho! Eduardo vai tomar banho!
Olhe, é isso que se escuta todos os dias. Não necessariamente com essas palavras, mas sempre uma repetição histérica do nome do pobre Eduardo.
Mas quem é o Eduardo? Bem, os vizinhos andam preocupados, achando que deve ser o filho da maluca. A questão é que nunca há resposta ou reclamação da parte dele. Seria um menino mudo?
A maluca se diz delegada, volta e meia aparece nos bares e mercadinhos dando alguma notícia que ninguém releva, afinal, mesmo sem conhecer um fio de cabelo da dita cuja, sabem que qualquer coisa vinda da dona Andréia é invencionice.
Olhe de novo.
Eduardo é sim o filho da maluca.
O que ninguém sabe é que ela o afogou há duas semanas e trata o cadáver como se estivesse vivo. Tenta dar comida e bate nele quando se recusa a comer. Põe a criança roxa e estufada para dormir todas as noites. Briga com ele toda vez que faz uma travessura. Troca as roupas. Até manda ele tomar banho, mas ele nunca vai...
Olhe de novo!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

As pessoas andam na rua com seus sapatos de couro legítimo
Chove, e elas pisam nas poças com seus sapatos que não vão estragar porque são de couro, molhando as barras das calças
O que elas não sabem é que estão pisando no esgoto que vazou da casa ali do lado e não na água da chuva
E nem percebem que levam a merda pra casa o tempo todo.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

No consultório oftalmológico

Caminhando na chuva, molhando os pés.
"Porcaria, vou ficar com os dedos encharcados nesse frio até a noite."
Encontra o prédio.
"Nossa, que coisa de outro mundo, nem parece a minha cidade... chique."
Entra no consultório.
"Definitivamente, coisa de rico. O que eu estou fazendo aqui?"
Assinar os documentos, sentar no banquinho para fazer o tal do teste...
- Olha fixo pra máquina, vai soltar um ventinho no teu olho.
"Ventinho? Ok..."
A máquina libera um jato de ar diretamente no olho. Leva um cagaço.
"MAS O QUE?"
Volta, aguarda, consulta, vai ter que fazer dilatação, pinga um colírio.
"Nossa que sensação engraçada, estão drogando meus olhos, como é que é isso, gente? Está ficando bem pesado para mexê-los....(risos internos)"
Sorri, espera que ninguém perceba que está sorrindo para nada.
- Vou pingar um colírio aqui, fica com os olhos fechados por um minutinho.
"Espera aí, tem outro?"
Espera o efeito, nada acontece.
"Será que eu sou resistente ao colírio?"
- Vou pingar mais um colírio, desta vez fica com os olhos fechados por dois minutos.
"Mas o que... AAAAAH ISSO ARDE!"
- Ouch!
- Dói, né? - diz o homem da cadeira ao lado, passando pelo mesmo procedimento.
"Ok, não deve ter mais nenhum... vou esperar aqui e que esse negócio funcione. Homem lendo de olhos fechados? Mas como assim? E essas pessoas lendo a revista Caras? Não, é sério, não tem nada que preste na Caras. Por que diabos me interessaria a aparência do quarto do filho do Bruno e Marrone? Digo, Marrone. É que não sei separar duplas sertanejas. Por que aquela mulher levanta tanto a expressão para ler? Isso não é desconfortável? Passou uma mulher bonitona. Olhou pra bunda dela que eu sei, campeão. Ok, vamos trocar de música aqui e... EU NÃO ENXERGO NADA DO IPOD!"
- Marília, vamos fazer o exame?
"Um olho está mais embaçado que o outro... isso não deveria ser assim, suponho..."
Bate umas fotos com um flash que atravessa a alma, volta pra sala de espera.
"Estou ceguinha pra ver de perto. Será que minhas pupilas dilataram muito? Vou ver no reflexo do celular. Ai nossa, que isso? Uma está maior que a outra!"
- Marília, vamos fazer mais um teste?
"Mais um?"
- Vou pingar esse anestésico nos teus olhos agora...
- Para?
Moça com cara de "eu nunca tive que responder isso".
- Para encostar uma sonda no teu olho.
Piga o milésimo colírio. 5 segundos depois vem com a tal da sonda.
"Tá, o bagulho já fez efeito? Essa porra vai doer!"
Encosta a sonda, não sente nada.
"Ok. Isso foi MUITO legal."
Volta pra sala de espera, toca dentro do olho, íris, pupila, tudo, sem sentir nada. Ri sozinha.
"Isso é muito legal, devia ficar por muito tempo. Nossa que coisa legal. Será que o cara aqui do lado achou legal também? Vou perguntar. Tá, não vou perguntar. Mas que é legal é."
Fica na sala de espera se segurando pra nao cair na gargalhada sozinha, afinal ia ser um pouco estranho uma pessoa rindo muito ao tocar o próprio globo ocular...